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Setembro Amarelo: entenda o objetivo e como apoiar a causa

Cultura Inglesa
10 de setembro de 2021

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é a 3ª causa de mortes de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos. Este é resultado de uma convergência de fatores e cenários que potencializam o sofrimento. Neste sentido, apesar do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio ser datado no dia 10 deste mês, que é conhecido como Setembro Amarelo, as campanhas de conscientização acontecem durante todo o ano. É importante que cada um de nós saiba como apoiar a causa. Afinal, #todavidaimporta. 

 

Setembro Amarelo: como surgiu, escolha da cor e objetivo dessa campanha

Setembro Amarelo no Brasil

Embora a OMS tenha declarado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio em 2003, a campanha Setembro Amarelo foi criada em 2015 no Brasil. O projeto nasceu do trabalho de cooperação entre CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). Assim, a cor da data foi relacionada ao mês.

Nesse sentido, é válido destacar que no ano anterior, 2014, nosso país ocupava a 8ª posição dentre os países com o maior índice de suicídios no mundo.   

Em vista disso, o principal objetivo dessa dessa campanha é conscientizar a população sobre a prevenção ao suicídio e dar visibilidade à causa, democratizando o conhecimento sobre a depressão e outros problemas que afetam a saúde psicológica.

 

Onde pedir ajuda?

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma associação que trabalha com ações de prevenção ao suicídio. A equipe de voluntários atende por telefone ou chat, de forma gratuita, todas as pessoas que precisam conversar sobre o tema. Se preferir, ligue 188 ou mande mensagem pelo chat, que funciona 24 horas por dia, para ser atendido com total sigilo e anonimato. 

 

Entrevista com a psicóloga Carolina Barreto

Para saber como fazer a sua parte e apoiar essa causa, confira a entrevista com a  psicóloga Carolina Barreto, formada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e atuante na área, com base na Terapia Cognitivo Comportamental. 

 

Quais cuidados as pessoas precisam ter ao abordar o tema Setembro Amarelo, especialmente hoje, no dia do combate ao suicídio?

“Quando falamos em Setembro Amarelo costumo ver, com frequência, a iniciativa das pessoas nas redes sociais, colocando-se à disposição para conversar caso alguém esteja precisando. Esse espaço de apoio pode ser importante e capaz de ajudar muitas pessoas, mas é fundamental que haja consciência de que é preciso orientar e auxiliar quem está em sofrimento, para que busque ajuda profissional, com escuta especializada e orientada. O acolhimento, a empatia e a compreensão de familiares e amigos é muito importante para quem está sofrendo, mas o acompanhamento psicológico torna possível trabalhar essa dor a partir das suas raízes e com manejo qualificado.

Gosto de lembrar que o Setembro Amarelo é um mês dedicado a essa conscientização, e isso é maravilhoso, mas é importante levarmos essa atitude de atenção e empatia sobre o tema para o decorrer do ano, pois as pessoas sofrem e se suicidam todos os dias”.

 

A pessoa que está pensando em cometer suicídio tende a dar sinais previamente? Como podemos reconhecer sinais de depressão em amigos e familiares?

“Às vezes, os sinais podem não vir de forma tão declarada e abertamente, com a pessoa dizendo: “vou me matar”, mas apresentar-se em falas como: “era melhor estar morto”; “vou sumir”; “queria que Deus me levasse”; “não suporto mais essa vida”; “minha vida não vale nada”; “vou deixar vocês em paz”. A pessoa pode, também, passar a se envolver em situações em que há risco de vida. É importante estar alerta a esses indícios. 

Sobre a depressão, às vezes os sinais são sutis e a correria do dia a dia dificulta a percepção de que alguém próximo pode estar sofrendo. No entanto, podemos perceber os sinais por meio de mudanças no comportamento, que podem ir aparecendo aos poucos, não necessariamente de um dia para o outro. Isso pode ser visto quando, por exemplo, a pessoa vai se tornando cada vez mais reclusa, evitativa, isolada, triste; ou quando não se interessa mais por atividades que gostava muito de fazer. A insônia ou o excesso de sono associado a outros sintomas também podem ser um vestígio. A irritabilidade, que muitas vezes é ignorada ou causa um afastamento das pessoas ao redor, também caracteriza-se como um sinal importante. Sinais de automutilação e abuso de substâncias são indícios relevantes para se estar atento. Além disso, determinadas atitudes servem apenas para que a pessoa aparente estar bem, como postagens nas redes sociais, por exemplo. Por trás dessas postagens está o que essas pessoas realmente querem mostrar. É algo que vai além do seu dia a dia. É um pedido de ajuda, mesmo”.

 

O que fazer quando reconhecemos esses sinais de depressão?

“Em primeiro lugar, mostrar uma atitude empática, e o que quero dizer com isso é que já quebramos muitos tabus sobre a depressão, mas ainda faltam outros a serem quebrados. Entender que a pessoa não está naquela situação por opção, não é uma escolha. Então, dizer: “você precisa reagir”; “você precisa querer”; “você tem tudo”; “sua vida é tão bonita”; “você não tem motivo para estar assim”, por mais que seja no intuito de ajudar, não é eficaz. Isso, porque a pessoa quer ficar bem, ela não quer se sentir daquela forma, mas lhe falta força para reagir. Às vezes, ela não sabe o que fazer para se sentir melhor. Mostrar que a pessoa é importante pra você, que ela não está só, que você está com ela nesse processo, orientá-la a buscar ajuda profissional e ajudar a pessoa a encontrar essa ajuda é muito importante. Mostre-se disponível para acompanhá-la na ida à terapia, caso ela queira. Se houver certa relutância, vale propor que ela apenas experimente ir a um profissional e ver como se sente”.

 

Quais são os canais recomendados para a pessoa em depressão buscar ajuda? 

“O centro de valorização da vida é uma rede de apoio emocional que trabalha em prol da prevenção do suicídio. Por meio do telefone 188 é possível conversar gratuitamente e com total sigilo. As unidades básicas de saúde perto da sua casa, psicólogos e os Serviços de Psicologia Aplicada das universidades (SPA) são opções recomendadas para pessoas com depressão encontrarem ajuda”.

Falamos muito sobre depressão, mas quais outros problemas podem afetar a saúde mental? 

“O adoecimento mental se dá por diversos fatores, mas acredito que ainda trabalhamos muito a partir de danos que já estão ali presentes, instaurados, e muito pouco na prevenção, com a promoção da saúde mental. Então, o adoecer pode ser gradativo, e acontecer pela falta de cuidado com as próprias emoções, o que pode levar a um esgotamento emocional. 

A dificuldade de perceber, de entender os sinais que a mente, por meio das suas emoções, manda pra você e ignorar isso até que se tenha um acúmulo de questões mal resolvidas é um fator que também contribui para esse adoecimento. Trabalhar sofrimentos que parecem “pequenos” é importante para que eles não se tornem maiores e para que se viva com uma melhor qualidade de vida. 

Às vezes, vivemos com a necessidade de ser produtivos, pois o sistema demanda isso. Há uma busca por atender às expectativas, estar com a vida toda ok, mas você tem se permitido tirar um tempo só pra você? Para fazer o que quiser, ou para não fazer nada? Dedique um tempo a si, isso faz bem e não é besteira. Acolha as suas emoções, não as ignore e perceba o porquê de elas estarem ali naquele momento”.

 

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